Conrado Krainer
Conrado Krainer
Artist Statement
O Mundo antes do mundo

Minha prática se desenvolve no encontro entre imagem, memória, natureza e história. Como artista brasileiro baseado em São Paulo, aproximo-me da fotografia não apenas como forma de representação, mas como um meio de investigar os modos pelos quais construímos conhecimento sobre o mundo — aquilo que preservamos, classificamos, lembramos e também o que permanece fora da imagem.
O tempo ocupa uma posição central em meu trabalho, tanto como assunto quanto como método. Interessa-me observar sua ação sobre a matéria viva, as fotografias, os arquivos e a memória: transformando, erodindo, acumulando e produzindo novos sentidos. Luz, sombra, superfície e materialidade integram essa investigação e fazem da imagem fotográfica menos uma evidência estável do que um espaço mutável no qual diferentes temporalidades podem coexistir.
Minha prática transita pelo campo expandido da fotografia, articulando processos analógicos e digitais, materiais de arquivo, mídias mistas, inteligência artificial, manipulação de imagem e, mais recentemente, experimentações materiais envolvendo plantas, pigmentos e imagens botânicas históricas. Esses procedimentos permitem que vestígios documentais, ficção, mediação tecnológica e matéria física ocupem uma mesma imagem.
Minha pesquisa recente tem se aproximado dos arquivos e dos sistemas por meio dos quais a natureza e a história foram observadas, nomeadas e classificadas. A partir da minha posição no Brasil, essa investigação tem me levado a arquivos botânicos e coloniais, às formas indígenas e científicas de nomeação e aos modos como as imagens participaram da construção de determinadas compreensões sobre território e mundo natural. Em outros projetos, o arquivo torna-se um espaço para investigar memória privada e história coletiva, deslocamento, medo e a instabilidade da lembrança.
Entre esses diferentes corpos de trabalho, interessam-me sobretudo os territórios de passagem: entre documento e ficção, preservação e desaparecimento, visível e invisível, experiência humana e mundo material. Em vez de compreender a fotografia como registro neutro, penso a imagem como um lugar no qual a memória é continuamente construída, transformada e negociada.
Para Lembrar e esquecer
Na forma do tempo

Ecos do invisível









