top of page

Ecos do Invisível

Echoes of the Unseen

Ecos do invisível  se desdobra como uma investigação fotográfica na qual os acidentes — sejam eles visuais, temporais ou procedimentais — tornam-se forças geradoras. A série é construída a partir da tensão e da sobreposição entre a fotografia analógica, a manipulação digital e a reconstrução baseada em inteligência artificial, tratando cada meio não como um domínio separado, mas como um campo de colisão. Essas colisões produzem fraturas, distorções, texturas inesperadas e deslocamentos de perspectiva que operam como pequenas rupturas no ritmo acelerado da produção contemporânea de imagens.

Ao provocar intencionalmente erros — vazamentos de luz, artefatos digitais, leituras equivocadas da IA, deslocamentos temporais — o trabalho assume o acidente como motor criativo. Em vez de corrigir ou ocultar essas imperfeições, o processo as amplifica, permitindo que cada interrupção abra novos caminhos visuais. Nesse sentido, as imagens não são simplesmente capturadas; elas são construídas, desconstruídas e reconstruídas em camadas que preservam o vestígio de cada erro. O acidente torna-se um lugar de invenção, um momento em que a imagem hesita o suficiente para revelar algo que, de outro modo, permaneceria invisível.

Essa prática posiciona Echoes of the Unseen como uma crítica sutil à aceleração visual e ao esgotamento produzido pela produção incessante de imagens. Os fragmentos, os deslocamentos de ângulo e as temporalidades sobrepostas convidam o olhar a desacelerar, a permanecer, a repousar. O espectador é encorajado a habitar as zonas intermediárias da imagem — suas rupturas, suas costuras, seus ecos — onde formas desconhecidas emergem. Esses ecos não são fantasmas do que foi, mas ressonâncias do que pode vir a ser a partir do atrito entre os meios.

Em vez de oferecer uma narrativa unificada, a série propõe um campo de deriva sensorial e conceitual. Cada fotografia funciona como um fragmento dentro de um continuum mais amplo, um ponto em que a materialidade do analógico encontra a mutabilidade do digital e o potencial alucinatório da inteligência artificial. Nesse encontro, emergem imagens que desafiam a clareza e resistem à aceleração, insistindo no valor da pausa, da interrupção e do acidente como caminhos para ver de outra forma.

bottom of page